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Musical de MS homenageia vozes femininas do sertanejo

Publicada em: 06/04/2026 15:12 -

"Rainhas do sertanejo" é o nome do espetáculo com apresentações previstas para 6, 7, 13, 14 e 15 de maio.

Um reencontro com a própria história. É assim que nasce o musical Rainhas do Sertanejo, que chega ao palco do Teatro Aracy Balabanian em maio, reunindo canções, memórias e trajetórias de mulheres que ajudaram a transformar a música sertaneja no Brasil.

Com apresentações nos dias 6, 7, 13, 14 e 15 de maio, sempre às 19h45, o espetáculo propõe nostalgia e também um olhar sobre a força feminina em um gênero historicamente marcado pelo machismo.

A ideia partiu do diretor Fernandes F., que vê o projeto como um retorno às próprias origens. “Minha alma é sertaneja”, resume. Segundo ele, o musical é também uma forma de homenagear artistas que abriram caminhos e lutaram por espaço.

No palco, oito atrizes e cantoras se revezam em diferentes personagens, dando vida a nomes que marcaram gerações, das pioneiras às vozes mais recentes do chamado “feminejo”.

Entre elas, um dos destaques é a presença de Inezita Barroso, figura fundamental para a preservação da música caipira no país. A personagem funciona como uma ponte entre diferentes épocas do sertanejo.

Para a atriz Flávia Alarcon, que interpreta Inezita, o espetáculo também representa um desafio pessoal.

“Eu não me imaginava interpretando alguém do sertanejo, não era um gênero que eu ouvia. Mas é isso que o teatro tem de incrível: a gente sai da zona de conforto e descobre novos universos”, conta Flávia.

Ao mergulhar na história dessas artistas, ela diz ter se surpreendido. “Me encantei pelas trajetórias e hoje já me considero uma adepta da sofrência. Marília Mendonça, por exemplo, eu admirava, mas não conhecia a história. Virei fã.”

Outra voz do elenco, a atriz e cantora Manu Kavallari fala sobre o quanto o espetáculo atravessa sua própria trajetória. “Eu me sinto profundamente honrada em estar ao lado de mulheres tão talentosas e, juntas, honrarmos no palco a história das grandes cantoras da música sertaneja”, afirma.

Para ela, a conexão com esse universo vem de muito antes do palco. “Essas vozes sempre fizeram parte da minha vida. Eu cresci ouvindo música sertaneja, com rádio ligada em casa, com meus pais e avós assistindo aos programas da Inezita. Tudo isso ficou em mim, mesmo sem eu perceber”, lembra.

No espetáculo, Manu interpreta, entre outras personagens, a cantora Roberta Miranda, um símbolo de força dentro do gênero. “É uma mulher que atravessa gerações e abriu caminhos para que hoje outras mulheres possam ocupar esse espaço. Estar nesse projeto é mais do que um papel, é um encontro com a minha própria história”, resume.

A montagem também traz reflexões atuais. Segundo Flávia, dar visibilidade a essas histórias femininas é uma forma de provocar o público. “A gente vive um momento delicado, com muitos casos de violência contra a mulher. Contar essas histórias também é uma maneira de fazer pensar.”

A proposta passa justamente por mostrar como, ao longo dos anos, a presença feminina no sertanejo deixou de ser exceção para se tornar protagonista, movimento que ganha força com nomes recentes que cantam sobre autonomia, dor e escolhas.

Com texto de Mauro Rocha Mathias e produção da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) pela Arrebol Cultural, o espetáculo tem duração de 2 horas e classificação indicativa de 10 anos.

Para quem quiser garantir lugar, há incentivo: até o dia 30 de abril, todos os ingressos estão sendo vendidos com valor de meia-entrada. A compra de ingressos pode ser feita pela plataforma Sympla.

Fonte: Campo Grande News

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